sábado, 15 de setembro de 2012


HOMENS QUE OLHAM E HOMENS QUE NÃO OLHAM — UMA ANÁLISE


Conscientes F-button
Há dois tipos de homem: os que olham e os que não olham.
No grupo dos que olham, há os que o fazem por instinto e os que agem conscientemente.
Os conscientes pertencem a outros dois subgrupos: os oprimidos pela culpa e os que mantêm permanentemente o botão F pressionado.
No time dos F button, há aqueles que entendem o ato de olhar como forma de atender a um chamado da natureza e aqueles que consideram o ato de virar o pescoço como algo eminentemente político, de afirmação sexual.
O olhar depende claramente das circunstâncias. Vejamos:
Em geral, quando estão em grupo, os homens sentem-se mais encorajados a olhar. Normalmente, olham e depois se entreolham, podendo ou não fazer comentários, dependendo da condição sócio-cultural.
Quando o objeto do olhar é um grupo de modelos jovens e macérrimas descendo a Teodoro Sampaio ou quando é uma mãe conduzindo filhos para a escola, o escrutínio masculino é mais respeitoso e parece estranhamente ter uma visada antropológica. É um momento de leve confusão mental.
Há a clássica situação do pai que leva a família ao shopping center. Conduzindo a prole — não raro os filhos estão fazendo coisas impróprias e expondo os pais em situações constrangedoras — o homem não sabe o que fazer quando surge a gostosa. A gostosa, a propósito, se chega a notar aquele núcleo familiar, o enxerga como um organismo único. O pai, por sua vez, enfrenta o dilema: olhar? Não seria patético? Mas, ao mesmo tempo, uma vez detectada, a gostosa passará incólume?
Isso nos leva de volta ao começo para resgatar um outro tipo: os homens que não olham.
Há o grupo dos que não olham porque não gostam. Ponto.
Os que gostam e não olham são homens que passam por cima da propalada condição biológica que os define como seres eminentemente visuais — em oposição às mulheres, sinestésicas –, resistindo torcer o pescoço com propósitos civilizatórios.
O americano tem uma palavra interessante, rubbernecking, para definir o ato de entortar o pescoço, como se fosse de borracha, para espiar os outros. Expressão cunhada pelo grande H.L Mencken, no fim do século 19, que inicialmente tinha a ver com esticar o pescoço para ver o resultado de acidentes na estrada e bicar o jornal do próximo no metrô.
Mas depois, com o hit Rubberneckin, do Elvis Presley, a coisa ganhou outras conotações. (Hoje no shopping nós não encaramos a fila para ver a memorabilia do Elvis, mas ouvimos de uma mulher que saiu da exposição “em lágrimas”. Ufa, deus me livre e guarde).
Assovio
O assovio, espécie de extensão do olhar, social e amplamente aceito até bem pouco tempo, é hoje malvisto e logo deverá ser legalmente definido como sinônimo de perturbação da tranquilidade, delito previsto pelo artigo 65 do Código Penal.
“Não assovie para mim, não sou cachorro”, dizia um cartaz que outro dia vi empunhado por uma militante.
Não vamos nos ater neste breve comentário àqueles que emitem muxoxos, chupam os dentes ou “endereçam” expressões chulas do tipo “carnão” ou “Eia, lá em casa”. Também não trataremos da perspectiva feminina, na condição de alvo do olhar ou simplesmente observadora crítica do voyeurismo masculino. Isso é assunto para outro post. Ou até não, dependendo.
A propósito, a Justiça vem lidando há um bom tempo com a figura do stalker, aquele que persegue e muitas vezes invade a intimidades das pessoas, mesmo que seja apenas observando ao longe. São milhões de casos no mundo todo, há estatísticas para comprovar. Mas esta é uma figura claramente diferente das tratadas neste mister.
Os filósofos pós-modernos de boutique andam dizendo que o olhar está numa encruzilhada. Que a internet está criando uma geração de homens impotentes que aos poucos transferem e restringem o olhar erótico à tela do computador.
Acho que não.
E você?
Instintivos
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Instintivo clássico
Consciente culpado
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