quarta-feira, 8 de agosto de 2012


“Maiden”, a múmia Inca, teve infecção pulmonar antes de ser sacrificada

A múmia de uma menina inca de 15 anos de idade, que foi sacrificada há 500 anos, está revelando alguns segredos.
Na adolescente sofria de uma infecção pulmonar bacteriana no momento de sua morte, relataram os cientistas na última quarta-feira, 25. Os investigadores analisaram proteínas de tecido, a partir de seu corpo e de outra jovem múmia Inca que morreu ao mesmo tempo.
Durante a última década, técnicas de DNA provaram ser úteis em ajudar a resolver mistérios antigos, tais como a forma como o rei Tutancâmon morreu. Mas estas técnicas não são totalmente seguras. Por exemplo, encontrar provas de um parasita da malária em Tutancâmon não significa, necessariamente, que o rei egípcio sofreu quaisquer sintomas da doença. Além disso, o ambiente pode facilmente contaminar amostras de DNA, se os pesquisadores não forem cuidadosos.
Por outro lado, a análise de uma amostra de proteínas, que são menos susceptíveis de contaminação ambiental, produz um conjunto de diferentes informações. "Sendo a expressão de DNA, as proteínas mostram realmente o que o corpo produz no momento em que o indivíduo está sendo examinado - ou, no nosso caso, no momento da morte", disse a pesquisadora Angelique Corthals , uma antropóloga forense da Universidade de Nova York ao Live Science. “Em particular, as proteínas podem dizer se o sistema imunológico do corpo foi ativado para combater uma doença”, acrescentou.
Múmias Llullaillaco
Em seu estudo, Corthals e seus colegas retiraram amostras de dois lábios de múmias Incas Andinas, entre elas um menino de 7 anos de idade, bem como amostras de seu manto ensanguentado. Foram encontradas duas múmias de crianças, descobertas em 1999, originalmente enterradas no cume do vulcão argentino Llullaillaco localizado a 6.739 metros acima do nível do mar, depois de terem sido sacrificadas em um ritual cerimonial.
Pesquisas anteriores descobriram que o menino e a menina (apelidada de A Donzela) haviam sido engordados antes do sacrifício, sendo alimentados com uma dieta camponesa típica de batatas e outros vegetais comuns até um ano antes de seu sacrifício; existem evidências que eles receberam alimentos de “elite” como carne de lhama e milho seco.
Uma vez sacrificados, as baixas temperaturas, entre outros fatores, naturalmente preservaram seus corpos com maior quantidade de gordura nos tecidos.
"O que eu realmente queria fazer originalmente, era ver de onde o sangue que eu encontrei nas roupas e lábios das múmias vieram", disse Corthals. "Mas descobrimos muito mais do que esperávamos."
Os arqueólogos também descobriram uma terceira múmia, uma menina de 6 anos de idade, junto com os outros dois. Esta múmia parece ter sido atingida por um raio, o que poderia interferir nos resultados dos testes, assim Corthals e sua equipe não levou qualquer amostra a partir dela.
Infecção pulmonar encontrada
Os pesquisadores usaram uma técnica chamada proteômica. Eles colocaram suas amostras em um aparelho chamado espectrômetro de massa, que quebrou todas as proteínas da amostra em suas partes constituintes, cadeias de aminoácidos. Softwares sofisticados fizeram comparações destas partes com as proteínas existentes do genoma humano para determinar as proteínas reais nas amostras. "Você não poderia usar esta técnica para um organismo em que não tivéssemos o genoma completo", explica Corthals.
Eles descobriram que o perfil de proteínas da múmia Inca analisada corresponde a de um paciente com infecção respiratória crônica. Raios-X tirados dos pulmões, também mostraram sinais de uma infecção pulmonar.
Para ver se Maiden abrigava qualquer coisa que pudesse causar tal infecção, eles se voltaram para a análise de DNA e descobriram evidências de bactérias do gênero Mycobacterium, que é conhecido por causar doença respiratória, infecções e tuberculose. Os modelos estatísticos mostraram que a bactéria pode provocar tuberculose, mas a espécie exata ainda não é conhecida, provavelmente porque o seu DNA não foi sequenciado ainda.
O menino Llullaillaco não apresentava sinais de doença ou bactérias patogênicas.
A pesquisa mostra que a proteômica pode desempenhar um papel crítico na determinação da doença ou morte, em casos arqueológicos, médica e criminal, disse Corthals, acrescentando que o método pode até ser capaz de determinar qual patógeno é o mortal em um caso de múltiplas infecções. Por enquanto, Corthals está interessada em ver se a técnica pode ser usada com amostras menos cristalinas, tais como material esquelético ou múmias egípcias.
De acordo com a utilidade da técnica de proteína, provavelmente, poderá ir além da arqueologia, dizem os pesquisadores. "Espero que o impacto do método deva ser maior em ciência forense criminal", finalizou Corthals.
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