Nas últimas semanas, um assunto que vem repercutindo bastante aqui no Brasil — e no exterior também — é a crise no sistema carcerário brasileiro. As brigas entre facções rivais, as rebeliões, as barbáries, a falta de controle do Estado sobre os detentos, a superlotação das prisões e as constantes fugas viraram tema de discussão, e ficou muito claro que muitas coisas devem mudar. Rápido.
Aliás, graças a essa confusão toda, muita gente vem se perguntando o motivo de não haver mais prisões em locais isolados, como ilhas, por exemplo, onde os prisioneiros sejam obrigados a encontrar uma forma de conviver sem matar uns aos outros, e de onde seria muito difícil escapar.
Na verdade, existem várias razões pelas quais as ilhas-prisão estão se tornando cada vez mais raras, como as próprias dificuldades de acesso, o alto custo de manutenção, questões relacionadas com os Direitos Humanos etc. No entanto, existem vários exemplos de penitenciárias que já funcionaram em ilhas isoladas, e a seguir você pode conferir cinco deles:

1 – Ilha do Diabo

Localização: Guiana Francesa

A Ilha do Diabo, situada no litoral da Guiana Francesa, foi uma colônia penal estabelecida por Napoleão III (sobrinho de Napoleão Bonaparte) em 1854 e funcionou até 1938, quando a atividade foi oficialmente encerrada no país. Na verdade, o termo “Ilha do Diabo” era usado em referência a várias cadeias construídas nas ilhas Île Royale, Île Saint-Joseph e Île du Diable, assim como na cidade de Cayenne que, mais tarde, se transformou em capital.
Uma das ilhas que compunham a colônia prisional da Ilha do Diabo
Ao longo do período em que esteve em atividade, a colônia penal recebeu cerca de 80 mil convictos franceses — entre eles, presos políticos, criminosos perigosos e espiões —, e a maioria era punida com a realização de trabalhos forçados. Alguns eram enviados para trabalhar na construção de uma estrada, conhecida entre os detentos como “Rota Zero”, uma via que ligava nada a lugar nenhum, ou para cortar árvores.
Ruínas de um dos antigos pavilhões utilizados pelos prisioneiros
Mas a colônia também era conhecida entre os presos como “Guilhotina Seca” por conta do alto índice de mortalidade devido a doenças, às terríveis condições de trabalho, e ao fato de muitos passarem fome no local — já que os que não cumpriam as metas não recebiam comida. A estimativa é de que por volta de 50 mil prisioneiros tenham morrido na Ilha do Diabo.

2 – Ilha Robben

Localização: África do Sul
Antes de se tornar o primeiro presidente da África do Sul, em 1994, Nelson Mandela passou 27 anos encarcerado por conta de seu ativismo político e luta contra o Apartheid. Pois parte da pena — 18 anos — de Mandela foi cumprida na Ilha Robben, uma pequena ilha com cerca de cinco quilômetros quadrados situada logo na entrada da baía da Mesa, a pouco mais de 10 quilômetros da Cidade do Cabo.
Mandela passou 18 anos preso na Ilha Robben
A ilha começou a abrigar presos e indivíduos “indesejáveis” no final do século 17 e chegou a ser utilizada também como hospital para leprosos e doentes mentais e como base militar. A prisão de segurança máxima para presos políticos encerrou suas atividades em 1991, e o pavilhão para criminosos de média periculosidade foi fechado cinco anos depois. Em 1999, a Ilha Robben foi declarada Patrimônio da Humanidade pela UNESCO e hoje serve de museu e santuário natural.

3 – Ilha Pianosa

Localização: Itália
Situada no Mediterrâneo, no arquipélago Toscano, a Ilha Pianosa serviu de prisão de segurança máxima entre 1858 e 1998, e recebeu vários chefões da máfia em seus últimos anos de funcionamento. Se bem que o local não cortou os laços com o sistema penitenciário italiano completamente!
Esta idílica ilha serviu de lar para diversos chefões da máfia
Hoje a ilha consiste em uma área ambiental protegida e recebe apenas um número limitado de 100 visitantes por dia. Além disso, existe um programa de reintegração social no qual 200 presos da cadeia de Elba, uma das ilhas do arquipélago, são empregados em um hotel construído em Pianosa. Para serem elegíveis, os detentos devem ter cumprido pelo menos dois terços da pena e ter comportamento exemplar.

4 – Penitenciária Federal de Alcatraz

Localização: Estados Unidos
A Ilha de Alcatraz, situada na Baía de São Francisco, na Califórnia, recebeu esse nome graças a um explorador espanhol que a chamou de “Isla de Alcatraces” e foi convertida na temida prisão em 1934. O local recebia os criminosos mais perigosos e incorrigíveis de outras prisões, e um total de 1.545 pessoas — entre elas o infame Al Capone — foram encarceradas em Alcatraz durante os quase 30 anos em que ela esteve em atividade.
Alcatraz recebeu vários criminosos ilustres, como Al Capone
A “Rocha”, como também era chamada, ficava a cerca de 2,5 quilômetros de distância de São Francisco, e rodeada por águas gélidas com correntes pra lá de perigosas. No entanto, isso não impediu que alguns prisioneiros tentassem escapar de Alcatraz — 34 no total. Desses, a maioria morreu na tentativa ou foi recapturada, embora cinco continuem sendo listados como desaparecidos.
Hoje, a cadeia se transformou em uma popular atração turística
As atividades na penitenciária foram encerradas em 1963, devido aos altos custos de operação, e a ilha foi invadida por nativos norte-americanos em duas ocasiões durante essa mesma década. Em 1971, os ocupantes foram expulsos por agentes federais e, em 1972, Alcatraz passou a fazer parte da Área de Recreação Nacional Golden Gate. Hoje, a ilha recebe mais de um milhão de visitantes por ano.

5 – Ilha Santa Margarida

Localização: França
A Île Saint-Marguerite — no idioma original — fica situada a pouco mais de um quilômetro de Cannes, no litoral da Riviera Francesa, e abriga a famosa prisão de Fort Royal, local onde o Homem da Máscara de Ferro teria sido mantido como prisioneiro no século 17. A estrutura esteve em funcionamento até o século 20 e abrigou diversos presos famosos, como o marquês de Jouffroy D'Abbans, inventor do barco a vapor, e o líder rebelde argelino Abdel Kadir.
O Homem da Máscara de Ferro teria sido mantido como prisioneiro em Fort Royal
Mas a ilha tem uma longa história, já que ela contou com a ocupação humana desde a época do antigo Império Romano. Hoje em dia, a Ilha Santa Margarida abriga um hostel e um museu dedicado à arqueologia marinha, assim como um pequeno cemitério para soldados que morreram durante a Guerra da Crimeia e para militares norte-africanos que lutaram junto aos aliados na Segunda Guerra Mundial. Além disso, os turistas podem visitar as antigas celas do Fort Royal e também as antigas estruturas deixadas pelos antigos romanos.