Ao chegar na padaria, uma pequena fila pois o pão ainda não tinham saído do forno. A fila estava sendo formada ao lado das geladeiras e como não tinha nada para fazer, comecei a ler os rótulos dos produtos.
Ler rótulo é absurdamente importante, pois precisamos saber o que iremos colocar dentro de nosso corpo. Mesmo que você não seja familiarizado com as especificações técnicas dos rótulos – como carbonato de potássio, estabilizante tripolifosfato de sódio, guanilato dissódico, aromatizante etc – é fácil saber que esse tipo de coisa não é saudável.
ler rotulos de produtos
A dica é simples: evitar ao máximo alimentos ultraprocessados e dar preferência sempre ao produto natural e o processado minimamente (exemplo: milho em conserva ou tomate pelado apenas com apenas água e sal).
Voltando à fila, reparei que não tinha NENHUM suco integral. Todos eram produtos ultraprocessados e que devemos evitar totalmente. Esse tipo de suco é puro açúcar, produtos químicos e é uma bomba para o nosso organismo.
Bem, no meio dessa overdose de açúcar achei um  produto com 100% de suco. Que maravilha! Um suco integral da Del Valle! Até que enfim a Coca-Cola está realmente pensando na saúde das pessoas, pensei.
Abri a geladeira e peguei o referido suco para ler o rótulo. Quando analisei mais de perto, não sabia se ria ou se chorava e entre uma coisa e outra, decidi tirar uma foto:
má-fé da Del Valle - Coca-Cola 2
Me diga, quem é que escreve 10,0%? Você escreve assim? Eu não e nunca conheci alguém que usa porcentagem dessa forma. Não acreditando na má-fé dessa marca, comecei a ver outros sabores desse suco. Todos estão com esse 10,0%.
Ao escreverem assim estão induzindo ao erro o consumidor. A ideia dos jênios lá da Coca-Cola é que as pessoas achem que esse produto tem 100% de suco.
Agora imagina um pai ou mãe que associa o “100%” de suco com o valor de R$ 3,20? Eles compram para os seus Padawans achando que estão fazendo o melhor para eles.
Esse tipo de artimanha fere o Código do Consumidor:
Art. 37. É proibida toda publicidade enganosa ou abusiva.
§ 1° É enganosa qualquer modalidade de informação ou comunicação de caráter publicitário, inteira ou parcialmente falsa, ou, por qualquer outro modo, mesmo por omissão, capaz de induzir em erro o consumidor a respeito da natureza, características, qualidade, quantidade, propriedades, origem, preço e quaisquer outros dados sobre produtos e serviços.”
Comprei duas garrafas desse veneno e irei ao Procon nessa semana. Esse tipo de atitude mostra muito o respeito que uma empresa tem com os seus consumidores. Induzir ao erro para ter lucro é um ato covarde que deve ser combatido.
Leiam sempre os rótulos. Comecem a ter esse hábito. E se você não sabe o que significa guanilato dissódico, coloque no Google em seu smartphone. Esse é o caminho para que as empresas parem de tratar os consumidores como uns imbecis.

ATUALIZAÇÃO

De acordo com a Instrução Normativa 19 , de 19 de junho de 2013, publicada pelo Ministério da Agricultura, o Artigo 12 prevê:
Art. 12. A quantidade de polpa de fruta e de suco de fruta ou de vegetal, nas bebida pronta para o consumo, com exceção das bebidas contendo somente extrato padronizado e ou aquoso como ingrediente característico, deve ser declarada no rótulo.
§ 1º A declaração prevista no caput deve ser feita obrigatoriamente:
I – no painel principal do rótulo, isolada, em destaque, com caracteres em caixa alta, em porcentagem volume por volume (v/v), com uma cifra decimal, de suco integral ou polpa ou o somatório destes, conforme o caso, de acordo com seguinte:
a) 6g (seis gramas) de suco concentrado de tangerina a 21º Brix (vinte e um graus Brix), deve ser escrito no painel principal a expressão “11,0% DE SUCO”;
II – com o valor numérico e o sinal de porcentagem (%) de, no mínimo, o dobro do tamanho da denominação do produto, e a expressão “DE SUCO” de, no mínimo, uma vez e meia o tamanho da denominação do produto.
Olha a confusão da legislação onde dá margem para várias interpretações. Tanto que tem empresas que usam a casa decimal e outras não.
Não seria mais correto ao ver que pode gerar um erro, a marca em questão usasse o desvio médio da amostragem e colocasse, por exemplo, 10,01%? Ou até mesmo mudar a fonte dos números para evitar que os consumidores caiam em erro?
Para mim, é má-fé e das grandes. Uma coisa é a informação estar lá na coluna de lista de ingredientes, outra é esse destaque na cara do consumidor para chamar sua atenção.
Para a primeira, usa-se o decimal, para a outra, o requisito maior é o de clareza.
E se as empresas fosse de fato preocupadas com os consumidores, seriam as primeiras a quererem mudanças na legislação.